Pesquisadores da UFMT descobrem fósseis raros de dinossauros em Chapada dos Guimarães

Segundo pesquisadores da UFMT, essa é a primeira vez que um conjunto de ossos articulados ou semiarticulados é localizado com esse nível de conservação no local.


Por Rota Araguaia em 12/06/2025 às 10:22 hs

Pesquisadores da UFMT descobrem fósseis raros de dinossauros em Chapada dos Guimarães
Foto: TVCA

Redação

Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) fizeram uma descoberta inédita na região de Chapada dos Guimarães (MT), a 65 km de Cuiabá: fósseis de dinossauros com um alto nível de preservação, incluindo estruturas ósseas articuladas ou semi-articuladas — um achado raro na paleontologia brasileira.

De acordo com o geólogo e professor Caiubi Kuhn, essa é a primeira vez que um conjunto de ossos é encontrado nessa condição no estado. “É muito raro encontrar fósseis articulados ou semiarticulados. Normalmente encontramos ossos isolados. Aqui, os fósseis estão próximos uns dos outros, o que permite uma descrição muito mais detalhada dos animais”, afirmou.

A escavação revelou a presença de fósseis de pelo menos duas espécies diferentes, o que sugere que o local pode ter sido um antigo ponto de convivência entre dinossauros de portes e hábitos distintos. Entre os achados, destaca-se um terópode, dinossauro carnívoro bípede, descrito como o mais completo já encontrado em Mato Grosso e, possivelmente, do período Cretáceo Superior em todo o país.

Além disso, fragmentos pertencentes a um saurópode — dinossauro herbívoro de grande porte — e sinais de um animal menor também foram localizados. “A variedade encontrada amplia ainda mais a importância científica do sítio”, disse o professor Rogério Rubert, também da UFMT.

Trabalho delicado em campo

A escavação envolve uma equipe formada por professores e estudantes da UFMT, que trabalham com extrema cautela para preservar os fósseis. A estudante Daiane Emanuele relata que, apesar do tamanho dos ossos, o material é extremamente frágil. “Eles estão muito fragmentados, inclusive por dentro, então precisamos de muito cuidado na remoção”, contou.

Para garantir a preservação, os pesquisadores utilizam técnicas que incluem aplicação de aditivos, uso de algodão e gesso, além da retirada de blocos inteiros de rocha para análise posterior no laboratório.

Após a escavação, os fósseis são levados ao laboratório da universidade, onde passam por processos de limpeza, consolidação e identificação. É nesse ambiente que os cientistas iniciam a montagem das estruturas, como em um verdadeiro quebra-cabeça pré-histórico. “É assim que conseguimos entender qual parte pertence a cada dinossauro encontrado”, explicou Kuhn.

 

A descoberta reforça a importância científica da Chapada dos Guimarães como patrimônio paleontológico e abre novas possibilidades para estudos sobre a fauna que habitava a região há milhões de anos.



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